O uso sacramental de plantas enteógenas (e sua banalização) !
Por: Thiago Cavalcanti em 23.jun.2009 | Categorias: Espiritualidade

7-Flor (equivalente ao Deus asteca Pilzintecuhtli) segurando cogumelos enteógenos (Codex Vindobonensis, cultura Mixteca)
Desde tempos primordiais, o homem vem explorando a natureza e seus poderes, se misturando ao seu próprio habitat. Nele, os povos antigos encontraram espécies de vegetais resistentes para a construção de habitações e embarcações, tendo sido fundamental para a própria fixação e expansão de domínios, desbravando mares.
Expandiram também sua sabedoria em relação às propriedades medicinais dos vegetais, e vieram a descobrir algo que mudaria a sociedade mundial totalmente: que certas plantas podem alterar a consciência e percepção humanas. Nos dias de hoje, conhecemos tais plantas como enteógenas. Enteógeno, ou, a grosso modo, “Deus dentro”, é um termo apropriado para as conhecidas “plantas sagradas” ou “plantas de poder”. Há milênios, o homem vem fazendo uso dessas plantas, em busca de conhecer melhor a si mesmo, de entrar em contato com o divino, de transcender o plano material.
Através dos enteógenos, a vida ganhava novos sentidos, o homem passava a compreender melhor tudo aquilo que ocorria a seu redor, no Universo, enxergou e empreendeu caminhos além da carne, caminhos espirituais, menos egoístas. As plantas ensinavam, e ainda continuam a ensinar, muitas coisas aos seres humanos.
Infelizmente, nos dias de hoje a maioria se esqueceu disso, e acabou por desvirtuar o uso dessas plantas, buscando apenas o prazer entorpecido em um momento de vazio. O governo dos poderosos botou a culpa nas plantas, chamando-as de drogas e as proibindo. Na verdade, a droga está dentro dos homens e de seus pensamentos, seus intuitos, e não nas plantas. São eles quem, ao fazer uso exagerado e inconsciente, acabam se drogando cada vez mais, ao vibrarem pela simples diversão fútil e vazia.
Portanto, devemos nos conscientizar antes de julgar essa complexa questão. Boa parte das culturas modernas vivem um “inconsciente coletivo” (fruto, em especial, do marketing dos poderosos no passado), onde os pré-conceitos estão enraízados e rotulam as plantas como “coisas do mal”.
Não que isso seja apologia, mas que seja dita a verdade: o homem é o mal da natureza, e não o contrário. Pense bem antes de convidar a natureza para comungar do seu ser, pois o seu intuito ao fazer esse convite é definitivo e é desse intuito que o convidado irá se servir: você mesmo.
(Originalmente publicado na fanzine do SoulVision Festival de 2008, por Thiago Cavalcanti, que um dia também esteve preso aos pré-conceitos enraízados na nossa sociedade)


julho 1st, 2009 on 17:02
Gostei bastante… Em sendo tudo verídico, o texto mostra inteligentemente uma outra visão sobre o que hoje é tido como um problema social… Parabéns !